Tróia-Sagres 2004

 

 

 

 

No dia 11 de Dezembro 3 Infantrilheiros (www.infantrilhos.com), já tinham tentado a aventura, é certo que numa toada diferente pois rolavam sozinhos, no entanto, tiveram muito azar, o vento estava de sudoeste e sofreram a bom sofrer. As informações sobre esta experiência não eram as melhores, um deles não terminou e outro terminou em estado de "pré-coma".

Assim, no dia 26 de Dezembro mais 2 infantrilheiros e um grupo de amigos  tentam a sorte. A data não é a mais famosa, no dia anterior, tinha havido uma autêntica maratona à mesa de Natal. Pela minha parte tinha apenas 3 horas dormidas quando me fiz à estrada, a caminho do ponto de encontro, rumo a Setúbal.

Era a minha primeira participação. Que estreia, quando chegámos à fila do barco, começa a chover. Os homens do Inatel oferecem impermeáveis, enquanto aguardam o preenchimento de uma ficha.

O tempo prometia estragar a festa, mas tal não sucedeu, após a partida, chuviscou 5 minutos,  e não voltou a chover, a partir daí, só deu sol e ainda bem.

Iniciámos o percurso com o objectivo de chegar a Sagres ainda de dia. Os nossos companheiros apresentavam uma excelente forma física, pois eram estradistas e não betetistas. Cada vez que aparecia um grupo que rolava mais; Motoreis, Victor Cordeiro da Btterra e, por fim, António Malvar, colavam na roda e acompanhavam-nos durante vários km, normalmente entre 35 e 40km/h, quando não era mais, por causa dos esticões.

Chegámos a S. Torpes, primeiro ponto de paragem, na cola do António Malvar, seria impossível pelo menos para mim continuar naquele ritmo alucinante, eu queria era chegar, não interessava o tempo, pois era a primeira participação. Então eu e o Vasco, outro Infantrilheiro, resolvemos separar-nos do resto do grupo e rolar a um ritmo mais baixo.

Chegámos à subida de Odeceixe, autêntico tormento para quem já levava nas pernas uns 130 Km, pelo menos. Aí as dores na cervical agravaram consideravelmente, quase não podia mexer o pescoço, cheguei a pensar em desistir, pela primeira vez em tantos passeios já feitos. Mas eis que avistamos o segundo ponto de paragem, o Pão do Rogil. Era fundamental comer e renovar forças.

Enquanto estávamos sentados a comer, no café, surpresa das surpresas, entra uma participante de nome Raquel e pergunta-nos, se pode continuar connosco, porque tinha perdido o carro de apoio e estava sozinha. Claro que não podíamos dizer que não, e até demos as boas vindas, rolávamos devagar naquela altura e por isso não havia qualquer problema. Efectuei então, mais a Raquel, uns divinais alongamentos, no passeio, fora do café, para surpresa do meu companheiro, que quando saiu do estabelecimento e nos viu de pernas no ar, só não morreu a rir porque não calhou.

Retomámos a estrada, numa toada lenta cerca de 20 a 25 Km/h, após alguns km talvez uns 5, a Raquel pede para parar, para poder fazer mais uns alongamentos e diz-nos que quer desistir, algo que já nem queríamos ouvir falar. Incentivámo-la a continuar e lá recomeçámos. A partir desta paragem recuperei a forma e já conseguia pedalar aos normais 30 a 35 km/h. A tal ponto, que nem a famosa subida da Carrapateira com cerca de 7 Km, me atormentou. Convenci-me que iria conseguir chegar a Sagres, só em caso de acidente não terminava o percurso, e assim foi, para nós foi uma dupla vitória, conseguimos chegar ainda com lusco-fusco e conseguimos arrastar a Raquel até ao final.

Fizemos o percurso em 8h17m, chegámos por volta das 17h50m, atendendo à preparação que tínhamos, que não era nenhuma, ao facto de ser a primeira participação e à necessidade de levar a Raquel até ao fim, sendo para nós um ponto de honra, mas que nos prejudicou a média na parte final,  julgo que o resultado não foi mau.

Só gostava de saber se aqueles que vi rolar no inicio com pneus de BTT, chegaram ao fim, o nosso grupo terminou o passeio poucos metros depois da placa de entrada na cidade de Sagres, pelo que não fomos ao ponto de encontro geral, pensamos que a Raquel tenha ido pois ela continuou.

Não quero deixar de salientar também que os restantes membros do nosso grupo fizeram um tempo bem mais baixo cerca de 7h15m.

 

 

Álvaro Vieira

Membro fundador do Infantrilhos