Foram dois dias espectaculares, passados no Parque Natural de Montesinho, nos dias 20 e 21 de Setembro.
A viagem é longa, mas o destino merece o sacrifício. Não enfrentamos uma paisagem agressiva de montanha, basta lembrar que o ponto mais alto é de 1481m, todavia, enfrentamos um percurso bastante irregular, num sobe-e-desce de nos tirar o fôlego. A presença humana neste parque é equilibrada e a paisagem muito cativante.
Duas imagens se destacam neste passeio, por um lado a existência de poucas aldeias, perfeitamente integradas com o meio envolvente, por outro lado, a existência de longas extensões isoladas, sem sinais de presença humana.
Passemos aos detalhes. No sábado, dia 20, pelas 9h, abandonamos o albergue da juventude de Bragança (uma boa proposta de estadia a baixo custo), em direcção a Vale de Lamas, aldeia situada a nordeste de Bragança, já em pleno Parque Natural de Montesinho
O percurso previsto para este primeiro dia rondava os 70km e já tinha sido feito, em parte, por um dos elementos do Infantrilhos, em viatura todo-o-terreno.
Arrancamos de Vale de Lamas ás 10h, tendo como primeiro destino a aldeia fronteiriça de Rio de Onor, situada no extremo norte do parque. Nesta fase enfrentamos um percurso exigente em termos de relevo, provocando um desgaste prematuro aos participantes. Facto que não nos inibiu de apreciarmos as manchas de castanheiros e carvalhais, alternados por alguns campos agrícolas ao longo do percurso.
Foi com alívio que se fez a paragem em Rio de Onor para retemperar forças, à custa de um apetitoso pic-nic providenciado pelo nosso companheiro António, responsável pela logística de abastecimento e transporte do Infantrilhos. Antes disso tivemos ainda oportunidade de apreciar umas amoras soberbas, em duas enormes amoreiras, situadas no centro da aldeia.
Retemperadas as forças, lá partimos para a segunda metade do trajecto, com o objectivo de cobrir a máxima distância até Montesinho. A luz solar só nos deixou chegar à aldeia de Portelo, junto à fronteira com Espanha. Nesta parte final do percurso, foi uma constante a presença dos marcos em pedra a identificar a fronteira. Antes da descida para o Portelo, ficou na retina a imensa paisagem que se estendia para o sul do parque, onde se distinguia, à distância, a cidade de Bragança.
No domingo regressamos ao Portelo para completarmos o caminho até Montesinho, passando pelas minas do Vale da Ossa. Esperava-nos uma longa subida logo pela manhã, que nos iria levar dos 850m até aos cerca de 1200m, em Montesinho.
Depois de uma paragem para o café e algumas habilidades ciclísticas no interior da aldeia, rumamos para mais uma monumental subida com destino à barragem de Serra Serrada, localizada a 1270m de altura. As subidas terminaram em Chã do Ferreira, a 1370m. Aqui tivemos consciência que o sofrimento tinha terminado.
Durante a subida, tivemos oportunidade de testemunhar a mudança gradual da paisagem. Os montes arredondados, ladeados por vales profundos, deram lugar a um relevo mais agressivo, onde predomina o granito, salpicado por uma vegetação mais escassa e rasteira, subjugados pelas forças da natureza.
Ultrapassada a Chã do Ferreira, toda a gente se preparou para fazer a deliciosa descida de 11km, até à casa florestal, junto ao Rio Sabor. Foi impressionante o ritmo de descida, em escassos minutos completaram-se os 11 Km debaixo de uma poeirada que dificultou a visibilidade para quem seguia atrás.
A parte final do percurso, entre a casa florestal e a aldeia de França, ao longo do esplêndido vale cavado pelo Rio Sabor, foi utilizada para descomprimir a adrenalina acumulada durante a descida e comentarmos as peripécias de cada um.
Foi mais um excelente passeio do Infantrilhos. Viva o BTT, viva o convívio, viva a Montanha.